Santo Sudário

Santo Sudário - O estudo anátomo-fisiológico A nova medalha

Em torno do Lençol-Sindone de Turim

VII - Encontro com o destino
A Sindone pode ser marginal para alguns ou a maior parte dentre nós, assim como a incrível história de um jovem rabino, o judeu chamado Jesus de Nazareth.

Podemos morrer sem nunca tê-lo encontrado, sem nunca ter ouvido estas histórias tão mágicas quanto incríveis.

Algum dia, no entanto, mesmo os mais remotos dos homens, como os índios da América, os meus avós caciques Tibiriçá e Piquerobi, podem ter um encontro com o destino, a oportunidade da Revelação.

Então, existe a plenitude da escolha entre crer e descrer, e agir em conseqüência.

Para muitos, neste século e doravante, o lençol-Sindone de Turim é um fato cru, um objeto que pede história e explicação, como todos os seres que encontramos neste mundo.

Quando vi, no Jornal do Brasil, na mesma página, as notícias da exposição da Sindone de Turim e da beatificação de Frei Galvão, dois temas que me são queridos e acompanho há vinte anos, senti que tinha um encontro marcado com o destino em Turim e Roma.

E lá estive e aqui relato e dou testemunho de fé.

Nas pílulas de Frei Galvão, em latim, está escrito: "Maria, vós que depois do parto permanecestes virgem, Mãe de Deus, intercedei por nós.”

Frei Galvão, nascido em 1739, construiu em São Paulo o Convento da Luz, das irmãs concepcionistas, que veneram o milagre da Imaculada Conceição de Maria. Frei Galvão também projetou e construiu o Convento de São Francisco. E, nesta urbe caótica, tudo caiu e foi destruído, menos estas duas construções de Frei Galvão, pioneiro e padroeiro da nossa arquitetura.

Antonio de Sant'Anna Galvão, filho do Capitão-Mor de Guaratinguetá, Antonio Galvão de França, em vida fez muitos milagres. E, ao lado de Santo Antônio, de Lisboa-Pádua, é um dos raríssimos a quem a tradição atribui o dom da ubiqüidade.

Que ele inspire a oportunidade de um encontro com o destino em que o leitor assuma o compromisso de busca da verdade para crer ou descrer, e agir de modo conseqüente, livre escolha à luz da própria mente.

O meu encontro aconteceu na pia batismal, às 9 horas da manhã de 9 de junho de 1939, e fez de mim um homem de certezas. Nunca tive dúvidas. Embora tenha mergulhado na própria mente, em auto-análise, ao ponto de por em dúvida a própria identidade, para reencontrá-la.

Sucateei toda a minha educação, todos os paradigmas, todos os conceitos, para reconstruí-los cartesianamente a partir do zero. Para mim, como para o meu querido amigo Descartes, a dúvida metódica sempre foi uma oportunidade de fé e de certezas.

Nasci filho de Rachel, judeu puro por cruza, na mente, nas feições, em muitos traços e atitudes. Descendo dos judeus cristãos e dos sefarditas que dominaram a Ibéria por séculos a fio e de lá saíram quando a inteligência e a liberdade ali se apagaram.

E é, sempre será, o povo especialista em Deus, o guardião da tradição da Bíblia, sem a qual é difícil compreender as outras duas grandes religiões monoteístas e a própria história de Jesus. Pois a Bíblia é o documento de identidade do Messias.

Assim como há infinitos caminhos para a verdade, há infinitos caminhos para Deus. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida."

E como dizia o velho rabino em New York, para encerrar uma discussão: “Afinal, quero lembrar que Jesus era um dos nossos rapazes”

Nós precisamos dos judeus e da tradição hebraica para compreender plenamente Jesus, o Messias.


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