Em torno do Lençol-Sindone de Turim
VI -A atitude-dever de Tomé
E, para que não viessem a pairar dúvidas através dos tempos, na segunda vez lá estava Tomé na atitude-dever da ciência.
Lá estava Tomé para duvidar, para constatar e comprovar pondo , o dedo na ferida. E lá estava a repetição, a segunda vez, que é também necessidade da ciência.
Em todo o Evangelho, não há ninguém que seja tratado por Jesus com tanta deferência.
Como Jesus tratou a Tomé.
Jesus se oferece como matéria, como objeto de observação: "Vem com a tua mão e mete-a no meu lado."
E Tomé era discípulo, apóstolo. Embora tivesse recebido o dom da fé, como todos nós, DUVIDOU.
Não foi excluído de entre os apóstolos por ter duvidado, até porque a fé dele tornou-se mais forte, mais racional, depois da dúvida.
É claro que dentro de todos nós, os que não tivemos o privilégio da convivência com Jesus, e que estamos dele separados e dos seus contemporâneos por mais de dezenove séculos, temos também quase que o dever de duvidar.
No entanto, não podemos duvidar com a alma leve e a mente leviana, só porque é mais fácil duvidar do que acreditar.
A história de Jesus, e o testemunho diário de fé dos que creram nele, é quase inacreditável.
Daí que muita gente hoje trabalha diariamente para provar que Jesus nunca existiu, uma tese impossível perante a História.
A experiência da ciência ensina que jamais se devem discutir fatos crus. Denomino "fatos crus" (hard facts) aos fatos isentos de interpretação. A temperatura desta sala é 23 °C: é um fato cru. Está quente ou frio já é uma interpretação.
Todos temos o direito e, dependendo do nosso nascimento, do meio em que fomos educados, temos até mesmo o dever implacável de duvidar, de não acreditar. A dúvida responsável, não leviana, nos traz o dever de pensar, de questionar, de examinar alternativas, de buscar a verdade.
O pecado é agir contra a luz da própria mente. A omissão é simplesmente apagá-la.

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