Em torno do Lençol-Sindone de Turim
IV - Ciência e milagres
A disciplina mental da ciência exclui a religião como argumento e os milagres como objeto de observação.
A observação só é científica quando pode ser repetida. O milagre NÃO se repete. Está, portanto, excluído do campo da ciência. Se é milagre não é objeto da ciência.
Pois, se algo pode se repetir a bel-prazer não é milagre. Diante dos milagres, o máximo que a ciência pode fazer é reconhecer a incapacidade de explicá-los ou declarar que este ou aquele evento situam-se além do que se conhece possível. Não se explicam.
Daí que muitas coisas que são hoje triviais, como a televisão, por exemplo, pareceriam, séculos atrás, puro milagre ou feitiçaria. Neste sentido, a ciência e a tecnologia têm aparentemente reduzido o campo dos milagres, no sentido estritamente físico.
Na maior parte dos pequenos milagres que acontecem em nossas vidas, no entanto, o milagre está mais no efeito de força de vontade da mente, que é capaz de mudar o curso dos acontecimentos. O milagre é mais mental do que físico, por efeito da ação da mente sobre o mundo.
A ciência em geral desconhece essa ação.
Os milagrões do plano de salvação citados (a encarnação, a virgem depois do parto, a ressurreição e ascensão de Jesus), resultaram, diretamente da ação da mente de Deus sobre o mundo, dentro o quanto possível das leis naturais. Pedem as mesmas virtudes, pedem a verdade. Porém, verdades disjuntas sobre temas disjuntos, campos diversos, matéria e transcendente.

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