Santo Sudário

Santo Sudário - O estudo anátomo-fisiológico A nova medalha

Em torno do Lençol-Sindone de Turim

II - O Lençol de Turim
             

Na Catedral de Turim, está o lençol sobre o qual Jesus foi deitado no Sepulcro. Este lençol foi a seguir dobrado em torno da cabeça, cobrindo todo o corpo. O pano é um tecido de linho, em “espiga”, ou “espinha de peixe”, com 1,10 metros de largura e 4,36 metros de comprimento. Nele fixaram-se as imagens da frente e das costas do corpo, que media 1,83 metros.

A olho nu, estas imagens são muito tênues, quase invisíveis. As manchas da água utilizada para apagar um incêndio em 1532 são mais visíveis do que elas. Cada fio do tecido tem entre 100 e 200 fibras de linho. A imagem se formou pela queima de apenas 3 a 5 destas fibras em cada fio, de modo que de muito perto a imagem torna-se imperceptível, perdem-se os contornos, embaçados.

A queima por radiação confere à imagem duas propriedades peculiares e marcantes: a imagem é um negativo (fotográfico) e preserva a tridimensionalidade, podendo-se medir as distâncias entre o corpo e o lençol e portanto, reconstituir o relevo do corpo. Há ainda, a inumerabilidade dos detalhes, uma propriedade ainda não focalizada. Quando Felipe Junqueira introduziu a imagem no computador por scanner e passou a recuperá-la com dosagem variável de preto e branco, surgiram inesperados detalhes, como por exemplo alguns dentes, e outros. Extraordinário ainda que a imagem tomada pelo scanner era do tamanho daquelas que aqui comparecem, onde consta o corpo inteiro. Portanto, uma imagem muito pequena comparada com as dimensões do corpo humano. e ainda assim, carrega detalhes inesperados, inúmeros, quase inesgotáveis, como só a realidade pode conter.

A esta nova terceira marcante propriedade denomino INUMERABILIDADE.

O lençol desde o Sepulcro

O lençol está de modo claro nos quatro Evangelhos, adiante citados. Lá estava ele no ano 30, no Sepulcro, havendo plena, rara concordância e complementação entre os quatro evangelistas.

Pela descrição da ressurreição de Lázaro, evocando o ritual dos judeus, verifica-se que eram dois os panos: o lençol e o lenço, colocado este sobre o rosto, este sim denominado sudário. Por isso, no latim e no italiano, o lençol é denominado “sindone”; em espanhol, “sábana”.

O lençol existe plenamente documentado no ano 30 e depois há referências diretas e indícios indiretos de sua presença, através de todos os 1400 anos seguintes, com um interstício em que desaparece na tomada e saque de Constantinopla pelos cruzados, caindo em mãos dos franceses.

Os dois principais Templários queimados por Felipe, o Belo, na Île de St. Louis, foram o Grão-Mestre Jacques de Molay e o Segundo da Ordem, Geoffroy de Chamy. Algumas décadas depois, o lençol reaparece justamente nas mãos de um outro Geoffroy de Chamy e desde então até hoje se sabe exatamente onde esteve, fugindo de perseguições e atentados, inclusive incêndios até os dias atuais. Está em Turim, desde que passou à posse da Casa de Savóia, protegido na Catedral.

Toda esta história, desde o tear que o produziu na Palestina, conforme testemunho do próprio tecido, é corroborada por vestígios encontrados no pano, onde já foram apuradas cerca de 1000 características ou propriedades ou vestígios diferentes.

A partir de 1898 mais de 300 testes foram feitos, conforme os melhores recursos da ciência em cada ocasião, todos apontando para a confirmação da história do tecido e para a identificação positiva do lençol citado nos Evangelhos.

O Lençol está documentado nos quatro evangelhos.

O lençol nos Evangelhos

João, Cap. XIX

38. Depois disto, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus.
39. Acompanhou-o Nicodemos (...) levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. 40. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com aromas, como os judeus costumam a sepultar.

João,Cap. XX

3. Saiu então Pedro e aquele discípulo, e foram ao sepulcro. 4. Corriam juntos, mas aquele outro correu mais ligeiro do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5. Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou. 6. Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão. 7. Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava porém, com os panos, mas dobrado, num lugar à parte. 8. Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu. 9. Na verdade, ainda não havia entendido a escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos. 10. Os discípulos, então, voltaram para casa.

Mateus, Cap. XXVII

57. À tarde, um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus, 58. foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o. 59. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco, 60. e o depositou em um sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra na entrada do sepulcro e foi-se embora.

Lucas, Cap.XXIII

50. Havia um homem, por nome José, membro do Conselho, um homem correto e justo. 51. Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os atos deles. Originário de Arimatéia, cidade da Judéia, esperava ele o reino de Deus. 52. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. E depois que o desceu, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro aberto em rocha, onde ninguém tinha sido posto.

Lucas, Cap. XXVII

12. Contudo, Pedro correu ao sepulcro: inclinando-se para olhar, viu só os panos de linho na terra.

Marcos, Cap. XV

46. Depois de ter comprado um pano de linho, José tirou-o da cruz, envolveu-o no pano e depositou-o num sepulcro escavado na rocha e rolou uma pedra para fechar a entrada.

Comentários sobre os Evangelhos

Os Evangelhos não são iguais. São quatro testemunhos independentes.

Alguns episódios e detalhes constam de um Evangelho e são omitidos nos outros. São João deixa explícito que o Evangelho é só um resumo seletivo de tanta coisa que aconteceu durante a vida pública de Jesus, tendo ele escolhido o que lhe parecia mais significante.

João não se reporta à Transfiguração, de que foi testemunha direta, mas cita o lençol e o lenço ou “sudário”, que estivera sobre a cabeça de Jesus. Daí se nota a importância que tinham quando escreveu o Evangelho.

Há, portanto, o lençol e o lenço, são dois panos, que decerto andaram juntos durante séculos, tendo se separado por ocasião de uma das disputas pela posse da relíquia.

Os judeus costumavam cobrir o rosto do morto com um lenço que se chamava sudário, como se esclarece com a referência de João, XI, 43:

43 “’Lázaro, vem para.fora’. E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas e o rosto coberto por um sudário.”

Do Evangelho de João, XX, 7, veio o nome “sudário” aplicado ao lençol, por engano, como se vê.

Observações pessoais

Pude ver em São Paulo uma foto com alto contraste, em tamanho natural, do lençol de Turim. Por força do contraste acentuado, identifiquei um retângulo levemente mais claro emoldurando a cabeça de Jesus.

A confirmar, pode ser a memória do lenço-sudário, no qual a imagem poderia ser muito mais viva do que no lençol. Esta imagem do lenço, sobreposta ao lençol, é que teria sido exibida com enorme impacto, em. diversas ocasiões, porque a imagem do lençol é muito tênue e esmaecida.

A possível memória do lenço é um detalhe que pode e deve ser examinado no estudo do processo de fixação de imagem no lençol. Estando lá também o lenço, a imagem ter-se-ia fixado através do lenço. As medidas da radiação, pelo efeito sobre o pano, poderão informar sobre a dose exata e a natureza da radiação. É de se esperar que a radiação da cabeça, sede principal da mente e dos fenômenos eletromagnéticos da vida, tenha sido muito mais intensa, quando em proporção com amassa.

Prova material da Ressurreição

Nenhum objeto está tão bem documentado e identificado nos Evangelhos. Quando estes foram escritos, o paradeiro do lençol devia ser bem conhecido dos evangelistas. O pano era uma prova material da Ressurreição de Jesus, pela simples presença, com a imagem gravada. Se Jesus não tivesse ressuscitado, o lençol seria uma mortalha e, como tal, objeto impuro e intocável para os judeus.

A história do lençol, bem conhecida e definida, direta ou indireta, escrita (como nos Evangelhos) ou presumida, é tratada, reportada e discutida em dezenas de livros e centenas de estudos.

Todo objeto requer uma história e uma origem. Se não existir uma bem documentada, então, é próprio da natureza humana contar uma, ad hoc. Esta necessidade do homem de conhecer os princípios, as raízes, de onde surge, é a fonte das versões e das lendas e da própria história. O lençol de Turim, com a imagem de Jesus martirizado, morto e ressuscitado, tem a origem bem documentada no Evangelho. É objeto histórico.
Qualquer outra versão não é plausível. É complicada demais, rebuscada demais. É bem mais fácil acreditar em milagres.

O negativo fotográfico

Em 1898, Secondo Pio pediu e obteve autorização para fotografar o lençol com os melhores equipamentos e técnicas então disponíveis. No objeto real a imagem é tênue, esmaecida, quase invisível, exige esforço de interpretação.

Quando revelou os negativos, de repente surge em toda a sua expressão e riqueza de detalhes o rosto de Jesus morto e flagelado. Extraordinária emoção. Aí começa a história moderna do lençol.

Surge "l'uomo della Sindone". Especialistas, crentes e ateus, passam a estudar o objeto histórico, que vem acompanhado desde as raízes dos nossos séculos até as melhores técnicas e conhecimentos do séc XX.

Centenas de provas e contra-provas são levantadas. Mais de mil características são registradas e mais de 300 testes indicam a autenticidade do lençol, completando detalhes desconhecidos de sua história e do "uomo della Sindone".

A imagem tridimensional

Em 1978, um grupo de cientistas ligados à NASA, a maior parte deles descrente, decidiu articular um projeto de pesquisa sobre o lençol, conhecido pela sigla STURP - Shroud of Turin Research Project.

O lençol foi submetido a instrumentos e softwares. Entre eles, aqueles utilizados para reconstituir o relevo da superfície da Lua a partir de fotos obtidas por satélites.

As distâncias são recuperadas por variação de luminosidade da radiação incidente e refletida a partir de fórmulas matemáticas. Claro que as distâncias não podem ser obtidas por fórmulas matemáticas se elas não existirem, se as fotos forem chapadas, sem relevo.

Extraordinária surpresa: foi possível determinar as distâncias entre o lençol e o corpo cuja imagem está nele gravada. E o relevo é completamente consistente com o corpo humano e com as feridas e contusões daquele corpo conforme descritas no Evangelho.

Muitos ateus se converteram. Livros se publicaram com grande divulgação.

Foi nesta ocasião que o lençol de Turim se tornou para mim foco de atenção e tema de acompanhamento permanente. Percebi imediatamente que a tridimensionalidade não poderia ter sido forjada no passado. Qualquer outra estória seria mais inverossímil do que a autenticidade.

A Sindonologia

A Igreja nunca se pronunciou oficialmente sobre o lençol de Turim. Foi declarado falso pelo bispo local quando surgiu na França. Trata-se de um objeto histórico, sujeito à investigação científica, pode ser declarado falso.

Karl Popper dizia que "falsefiability" é uma condição necessária para ser ciência. Aquilo que só pode ser verdadeiro e não pode ser testado não é científico: é dogma, ou postulado, ou religião. A possibilidade de ser falso precede o conhecimento científico. O teste científico que distingue o verdadeiro do falso promove o suposto falso à verdade.

O bispo local fez do lençol objeto da ciência. E há tanta riqueza de informações e tantas especialidades envolvidas: física, química, biologia, antropologia, arqueologia, técnicas de fiação e tecelagem, colônias e rejeitos de bactérias, atmosferas produzidas por incêndios, efeito de vapores de prata em teores de carbono, historiografia...

A sindonologia, por tudo que está envolvido no melhor conhecimento do seu objeto de estudo - o lençol de Turim, verdadeiro ou falso - tomou-se uma das mais fascinantes, completas e abrangentes pesquisas do nosso século.

Aprendi, nos meus próprios estudos de reconstituição do passado, que a história verdadeira é um "puzzle" que só se encaixa de uma única maneira. Isso é verdade até no curto espaço de nossas próprias vidas. Só há um modo possível de encaixar a seqüência dos fatos.

Daí que a plena correspondência entre as centenas de detalhes do lençol e do martírio de Jesus, progressivamente constatada, constata a autenticidade do objeto histórico com uma das mais elevadas transrefutabilidades dentre os temas de pesquisa, conforme a noção proposta em "New praxis of knowledge", 2° vol., do Joseph Book.

Ostensione della Sindone


No domingo, 25/5/1998, o Papa João Paulo II esteve diante do lençol de Turim.

Declarou que ele pessoalmente acredita na autenticidade. Que os estudos já feitos concluíram, sem dúvida, que a imagem se formou a partir de um corpo e não foi pintada. E deixou aberta para a ciência a questão de saber como a imagem ficou gravada no pano.
A fila é longa, a vida é breve, acontece morrer na fila. Não fico em fila de jeito nenhum. No entanto:

Na quinta-feira, 28/5/1998, desembarquei em Turim para a maior fila do mundo, 4 ou 5 milhões de pessoas, da Itália, de todo mundo, prestando um tributo de fé ao lençol, que tem sofrido tantos atentados de fogo e descrédito pelos séculos afora.

A afluência de gente excedeu a todas as expectativas. Todos os sistemas de reservas e acolhimento estavam congestionados.

Chovia a cântaros. Toda a cidade era um lençol de água. O ingresso na fila era controlado: exigia "prenotazione", reserva antecipada, e eu não sabia disso. Como a chuva havia fechado estradas, mostrando o passaporte da viagem transoceânica, consegui um lugar à fila e depois de algumas horas, em meio à grande emoção dos circunstantes, estava eu diante do lençol.

Por tudo o que eu já sabia, não pensava ver algo novo.

Foi uma surpresa. Uma imagem tão tênue, tão esmaecida, jamais poderia ser uma falsificação. Quem faria uma falsificação invisível?

De repente, toda a história de 2 mil anos de sobrevivência da relíquia fez sentido:
Por que o lençol passou relativamente desapercebido dentre tantas outras relíquias?

Embora sempre registrado no fluir dos anos, nunca alcançou, nunca teve o imenso prestígio que deveria ter, como PROVA MATERIAL do martírio de Jesus, dele próprio, e da ressurreição.

Quem o vê de longe, vê pouco ou nada. Quem o vê de perto, vê a imagem de um homem morto com muitos ferimentos.

Só no século XX surge o lençol como PROVA MATERIAL da vida e morte de Jesus. Objeto, matéria, que se comunica diretamente sem intermediários com a comunidade científica, por meio da observação direta, que é a fonte dos conhecimentos para a ciência.

Declarado falso muitas vezes, não é dogma nem dogmático.

É objeto de exame para livres conclusões. Quem duvida, sendo responsável, se vê diante de enormes dificuldades de explicação. A prova de uma versão alternativa à autenticidade é extraordinariamente difícil, se não impossível. Por isso, o interesse pelo lençol renasce, se espalha, se aprofunda e se amplia a cada declaração de falsidade.

O lençol no plano da salvação

Percebo diretamente a grandeza do homem quando consigo abranger o universo todo e compreendê-lo dentro de minha mente, como consegui.

O Universo é, portanto, menor do que eu, pude digeri-lo, desvendar-lhe os mínimos detalhes e as máximas sínteses. Irrelevante quem está no centro, noção esta desprovida de qualquer sentido prático, primitiva como um senso de teatro antigo.

Deus quis elevar o homem, fazendo-o à sua imagem e semelhança.

É a mensagem da Bíblia. A venerável tradição hebraica prepara a vinda do Messias para que seja reconhecido. e Jesus vive cada pequeno detalhe e toda a história completa conforme as profecias. Assim estas profecias constituem o documento de identidade do Messias, no qual Jesus se encaixa.

A Bíblia é a prova documental do Messias-Jesus.

Os Evangelhos são as provas testemunhais da vida de Jesus.

E agora, no século XX, depois de tantas destruições de bibliotecas, relíquias, de documentos históricos, surge o lençol sob nova luz, as luzes de novas e inesperadas tecnologias, como a PROVA MATERIAL de Jesus histórico e do Calvário.

A presença de Jesus

No retorno de Turim, Da. Rosa Rachel reuniu um grupo escolhido de 50 pessoas para ouvir sobre o lençol-Sindone. Dentre estas, tive a honra de ver o Padre Paschoal. Terminada a exposição, superestimando-me os conhecimentos, perguntou-me o que penso sobre a esperada vinda de Jesus no fim dos tempos. É um tema recorrente a cada transposição de milênios.

Não havia pensado nisso antes.

Não me parece plausível imaginar que Jesus volte de novo plenamente como homem-Deus. De repente ocorreu-me, no entanto, que esta esperada vinda-retorno de Jesus pode se concretizar na enorme, descomunal presença do lençol-Sindone, quando examinado diretamente pela ciência à luz das modernas tecnologias.

É uma presença tão forte, com tal poder de convicção, pelo caráter objetivo, que pode se tornar a presença real de Jesus nos nossos dias. É a vinda-retorno através da ciência.

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