Pastorais do dízimo

SENTIDO DO DÍZIMO

Antes da prática do dízimo, ou melhor, “Partilha Eclesial”, deve-se cuidar, primeiramente, da conversão. Oferecer o dízimo sem estar, realmente, convertido a Jesus Cristo é um ato puramente exterior. O Dízimo é pastoralmente rico, enquanto sistema de contribuição, partilha e comunhão. Deve ser enfocado como um dom religioso, não como uma obrigação jurídica. É uma atitude de reconhecimento do poder absoluto de Deus, que não olha a quantidade, mas o amor, a gratidão e o reconhecimento de quem dá o dízimo.

Participar do dízimo é um ato de amor e fé. Em Mateus (Mt 23,23), Jesus adverte com rigor: “Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês pagam o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a Fidelidade. Vocês deveriam praticar isso, sem deixar aquilo”. Dar fielmente o dízimo não é tudo. Antes, é necessário praticar a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Precisamos viver, verdadeiramente, o amor a Deus e aos irmãos.

O agente de pastoral também deve dar o dízimo. Muitas vezes, ele pode pensar que, por ser engajado em alguma pastoral, em algum movimento ou organismo da igreja, ou em trabalhos pastorais da Área pastoral ou da Paróquia, já está ofertando o bastante à Igreja. Não. A Igreja para cumprir a sua missão precisa, é claro, da participação e engajamento dos fiéis na ação evangelizadora, mas precisa, também, de dinheiro para cobrir todas as despesas. O cristão tanto deve oferecer o seu trabalho de apostolado, como deve dar, também, o dízimo. Essa atitude deve ser um compromisso de todos: leigos, religiosos, padres e instituições religiosas com renda.

Organização da Pastoral do Dízimo O conselho econômico paroquial, órgão constituído por representantes da comunidade e presidido pelo padre, dentre suas funções, tem por missão criar, animar e fortalecer a Pastoral do Dízimo como fonte de manutenção da ação evangelizadora, fonte expressiva do espírito de comunhão e participação. A arrecadação e administração do Dízimo podem acontecer de formas diversas. É fundamental que cada Paróquia ou Área pastoral defina como implantá-la ou reestruturá-la. Para isso, é necessário que cada região episcopal, cada Paróquia, cada Área pastoral tenha sua equipe de Pastoral do Dízimo, constituída por pessoas que sejam dizimistas, dotadas de sensibilidade e gosto pela missão de animar e manter essa pastoral. Para animar, articular, coordenar essas equipes, é necessário, também, que a Arquidiocese tenha uma equipe de Pastoral do Dízimo.

Formação e Função da Equipe de Pastoral do Dizimo

A Equipe Paroquial de Pastoral do Dízimo, que deve contar, no mínimo, com sete membros, desempenhará as seguintes funções:

a) COORDENAR todas as atividades dos membros desta pastoral da Paróquia ou Área pastoral, proporcionando condições para que cada membro da comunidade realize com alegria o seu desejo de participar do dizimo.

b) MANTER funcionando a Pastoral do Dízimo, em vista a alcançar as metas estabelecidas (visitas, plantão, comunicação, administração e outras, se a comunidade assim o desejar).

c) PLANEJAR, DEFINIR, EXECUTAR e APERFEIÇOAR continuamente o método de trabalho escolhido, tendo em vista o êxito total das metas estabelecidas.

d) CONSCIENTIZAR as comunidades, as Áreas pastorais e as Paróquias, por meio de campanhas, cursos encontros, boletins, cartazes e demais meios possíveis, quanto à importância e ao sentido do dízimo para a manutenção da Igreja e o desempenho de sua missão.

e) MOTIVAR E ANIMAR a comunidade a se interessar e a se comprometer, espontaneamente, com o dízimo paroquial.

f) CELEBRAR O DIA DO DIZIMISTA, promovendo a missa da partilha, com momentos especiais de oração, de bênçãos e de ação de graças. Esse dia poderá ser usado como momento de conscientização e valorização da partilha.

g) LEMBRAR as datas importantes da vida do dizimista, tais como nascimento, casamento, etc.

h) VALORIZAR o dizimista, pois é ele o protagonista da ação evangelizadora e é a “alma da dinâmica da comunidade”.

i) TREINAR, periodicamente, os agentes através de curso de formação grupal e técnicas de comunicação.

j) CRIAR ambiente de fraternidade entre os agentes e contribuintes, realizando, de quando em quando, encontros com os agentes de pastoral para diálogo e confraternização.

Agentes do Dízimo de Capelas ou Comunidades Convém que nas capelas e comunidades das Paróquias e Áreas pastorais haja também Equipe de Pastoral do Dízimo, com a responsabilidade de fazer o recolhimento, a contagem do dízimo e a assinatura de recibos. Cada capela ou comunidade entregará o dinheiro recolhido e recibo assinado pelos membros da equipe à tesouraria paroquial ou a quem o pároco com o conselho econômico estabelecer. É necessário que cada comunidade ou capela tenha um representante integrado na equipe paroquial da Pastoral do Dízimo.

O Dízimo recolhido não pertence somente à Igreja matriz, nem somente às Comunidades ou Capelas, mas a toda a Paróquia ou Área pastoral ; deve satisfazer às necessidades de ordem financeira das mesmas e partilhar com a Igreja Arquidiocesana. Destina-se, pois, ao pagamento de todas as despesas, tanto da Igreja matriz como das Capelas e Comunidades, bem como da mesma Igreja Arquidiocesana. Assim, cada Paróquia ou Área pastoral, Comunidade, fazendo também sua “Partilha Eclesial”, contribui com 10% de sua receita tributável para a Cúria Metropolitana e 3% ou 5% para o Fundo de Sustentação dos Presbíteros.